A prática pela prática, a tutorialização dos livros

Um pensamento muito comum entre os profissionais mais experientes é a frase "menos teoria, me mostre o código", quando se entende as bases da tecnologia, é justamente o que buscamos, o problema é quando este conceito de "tutorialização" é aplicada nos livros, material onde comumente buscamos uma carga conceitual maior, para de fato entender como as coisas funcionam.

Quando profissionais com menos experiência encontram apenas este tipo de material, "tutorializado", aprendem apenas códigos soltos para executar determinada atividade, sem entender o porquê faz, no final das contas, a leitura agrega pouco ao profissional em maturidade, se tornando apenas uma fonte de aprendizado empírico acelerado.

Para vislumbrar a desvantagem disso para o mercado, é necessário perceber que fazer software por fazer, sem entendimento das técnicas e como a tecnologia utilizada funciona, nos leva a incorrer nos mesmos erros anteriormente percebidos pela indústria de software. O resultado disso, são softwares criados com baixa qualidade e manutenibilidade.

Não é incomum encontrar jovens com alguns anos de experiência, que não dominam as tecnologias que trabalham, acostumados a apenas resolver os problemas a medida em que eles chegam, passando os olhos em breves resultados do Google, apenas reaproveitando o primeiro código que funcionar.

Talvez com o objetivo de atingir este tipo de profissional, muito autores da atualidade praticamente criam "tutoriais" de 100 páginas e os mandam para editoras, livros sem carga conceitual, apenas recheados de códigos por todos os lados (e até mesmo prints de telas), fato é, que estes livros encontram seu público por sua abordagem rasa (e neste caso, rasa não necessariamente é direta ao ponto).

Para dizer a verdade, em alguns livros que encontro, não parece que a intenção do autor é de atingir pessoas que querem a informação rasa, é como se ele tivesse apenas a informação rasa, e que apenas o resultado de estudos iniciais sejam suficientes para publicação de um livro com míseras 80~100 páginas.

No mercado brasileiro, esta situação se agrava, uma vez que temos poucos autores, e a falta do domínio do inglês deixa muitos leitores presos aos materiais nacionais, que nem sempre são ruins, é importante destacar, mas que nos últimos 2 anos, tem baixado o nível consideravelmente.

Este post é um desabafo, sem crítica direta a material ou editora, apenas um apanhado de considerações. A verdade, é que se o material é de baixa qualidade, o filtro deveria ser editora e depois consumidor, se no final das contas, seguimos adquirindo, não haverá nenhum esforço para melhorar a qualidade final.

Em adicional, para explicar "Tutorialização", termo que provavelmente não existe na língua, quero invocar a definição da palavra "Tutorial" na Wikipedia:
Tutorial é uma ferramenta de ensino/aprendizagem, podendo ser tanto um programa de computador quanto um texto, contendo ou não imagens, que auxilia o processo de aprendizagem exibindo passo a passo o funcionamento de algo.
Quero dizer que me refiro, a prática de fazer apenas o passo a passo para atingir um objetivo, sem necessariamente explicar o porquê do passo a passo, ou como algo funciona, apenas fazer funcionar.

Obrigado, e até a próxima.

Ricardo Faria

Ao terminar a quest de ler um livro, nem sempre ganha-se ouro, mas o bônus de xp é sempre aumentado.

2 comentários:

  1. Tem uma editora nacional que é campeã neste mercado de tutorial de 80+ páginas. Felizmente, nem todos os títulos dela são assim.

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